O III Copene Sul, que traz como tema  – NEGRAS E NEGROS NO SUL DO BRASIL: desenvolvimento, patrimônio e cultura afro-brasileira – se inscreve num processo de construção histórica marcada pela organização da população negra, por meio do associativismo, que tem sido historicamente uma das estratégias de luta e resistência. Organizados em diferentes frentes, homens e mulheres, negros e negras foram ao longo dos anos constituindo seus espaços de sociabilidades e atuação política.

          A partir dos anos 1980, cresce a participação de militantes negros e negras como professores(as) e pesquisadores(as) nas universidades brasileiras, o que vai impulsionar outras e novas demandas à academia e à produção do conhecimento. Estes requerem o lugar de sujeitos(as) e produtores(as) de ciência e não mais objetos da ciência, como eram tratados(as). É nesse contexto que intelectuais negros e negras passam a realizar , desde 2000,  o Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negro/as (COPENE) culminando em 2002, no II COPENE, com a criação da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN). Em 2017, foi realizada a IX edição  do COPENE e  para assegurar a consolidação da Instituição em âmbito nacional, os Congressos também passaram a ser realizados regionalmente a partir de 2013.

          A Região Sul conta com 23,70% de população negra, sendo: Paraná com 27,70%, Santa Catarina 15,6% e Rio Grande do Sul, 18,50 (IBGE, 2010). Por ser uma região de maioria branca, na maioria das vezes, a presença da população  negra para o desenvolvimento dessa região e do país tem sido desconsiderada. Nesse sentido, vale ressaltar que o  desenvolvimento brasileiro se caracteriza pela exclusão, concentração da renda e poder político, trazendo como consequência desses aspectos, uma brutal desigualdade estrutural e histórica. A população negra brasileira, na história do desenvolvimento é sua principal alavanca no Brasil colônia e império, até finais do século XIX.

          O período republicano, de 1889 a este início do século 21, apresenta uma das marcas mais perversas do desenvolvimento capitalista no Brasil, o racismo estrutural e institucional como forma de dominação ideológica na atualidade, são mecanismos determinantes para os elevados níveis de desigualdades econômicas principalmente, que verificamos na atualidade. Na medida em que impedem a participação democrática de negras e negros nos espaços de representação e poder.

          A história do desenvolvimento brasileiro também está marcada pelas diferenças regionais, e este aspecto a presença social, política e econômica da população negra no sul do Brasil, conhecido também como Brasil meridional, está fortemente marcada nas atividades políticas, econômicas e da cultura. Nunca foram invisíveis, já nos séculos 18 e 19 no Rio Grande do Sul representavam em média mais de 18,5% entre escravizados e trabalhadores livres, no Paraná em média 27% e Santa Catarina superavam 15% (Censo de 1872).

          A resistência da população negra no sul do Brasil está presente no mundo urbano e rural: as religiões de matriz africana, os clubes negros, as irmandades, os festejos, escolas de samba e a diversidade de manifestações culturais de origem africana sustentam e legitimam as negras e negros no sul do Brasil como sujeitos ativos da história e memória presente. O patrimônio e a cultura afro-brasileira estão vivos nas expressões da cultura popular na região, formam com relevância, o conjunto dos bens materiais e imateriais do patrimônio cultural no sul do Brasil.

OBJETIVOS

Geral:

          Promover a divulgação da produção científica, tecnológica e cultural sobre desenvolvimento, patrimônio e cultura afro-brasileira, incentivando a inovação e a geração de conhecimentos e a troca entre pesquisadores(as) e estudantes de ensino médio, graduação, pós-graduação e movimentos antirracistas do Brasil e do Cone Sul.

Específicos:

  • Promover o encontro entre pesquisadores(as) negros(as), intelectuais, professores(as) estudantes e ativistas da luta antirracista que desenvolvam pesquisas no campo das relações raciais, tendo como foco a população negra.
  • Proporcionar um estado da arte sobre as pesquisas que têm como objeto o patrimônio histórico-cultural afro-brasileiro e as relações raciais no Sul do Brasil.
  • Promover a aproximação entre pesquisadores(as)e escolas de educação básica.
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